Abin de Lula é acusada de fazer espionagem no Paraguai

O governo nega e culpa a gestão passada

Abin Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

A Abin (Agência Brasileira de Inteligência), sob o governo Lula (PT), realizou uma operação de espionagem contra autoridades do Paraguai. A investigação foi revelada pela coluna de Aguirre Talento, do portal UOL.

De acordo com a publicação, a ação foi planejada ainda no governo passado, mas executada durante a atual gestão com autorização do diretor Luiz Fernando Corrêa.

A operação envolveu a invasão de computadores de autoridades paraguaias para obter informações sigilosas sobre a negociação de tarifas da usina hidrelétrica de Itaipu. Esse tema é alvo de disputa comercial entre Brasil e Paraguai há anos.

A ação foi realizada por meio de um software chamado Cobalt Strike, usado para invasão de dispositivos de informática, e revelada por um servidor da Abin que deu um depoimento exclusivo ao UOL detalhando o que foi dito por ele à Polícia Federal.

Além deste, outro agente da Abin também confirmou a existência da operação. Uma terceira fonte, com acesso aos detalhes, reforçou as informações.

A investigação revelou que dados de diversos alvos do governo paraguaio foram coletados. Os ataques partiram de servidores montados no Chile e no Panamá, evitando que fossem rastreados ao Brasil. Os alvos incluíram o Congresso paraguaio, a Presidência e autoridades diretamente ligadas às negociações de Itaipu.

A ação ocorreu meses antes de um novo acordo sobre os valores pagos pelo Brasil ao Paraguai por energia de Itaipu, em maio de 2024. Ainda não há confirmação se essas informações foram usadas nas negociações.

A Polícia Federal apura se a operação teve caráter ilegal. A investigação ocorre dentro do inquérito que apura desvios da Abin sob Alexandre Ramagem, ex-diretor da agência no governo Bolsonaro. No entanto, também detectou possíveis irregularidades na gestão atual.

A PF perguntou se a operação tinha autorização da cúpula da Abin. Segundo o servidor, a ação foi inicialmente aprovada pelo então diretor Victor Carneiro, no governo de Jair Bolsonaro (PL), e teve o aval do atual diretor Luiz Fernando Corrêa. Em depoimento, o agente da Abin afirmou que a operação foi apresentada pessoalmente a Corrêa, que teria demonstrado entusiasmo com a ação.

Após a publicação da reportagem, o governo Lula negou envolvimento e afirmou que a operação foi autorizada no governo anterior, em junho de 2022. Segundo nota oficial, a ação foi cancelada pelo diretor interino da Abin em março de 2023, quando a nova gestão tomou conhecimento dos fatos.

– O governo do Presidente Lula desmente categoricamente qualquer envolvimento em ação de inteligência, noticiada hoje, contra o Paraguai, país membro do Mercosul com o qual o Brasil mantém relações históricas e uma estreita parceria. A citada operação foi autorizada pelo governo anterior, em junho de 2022, e tornada sem efeito pelo diretor interino da Abin em 27 de março de 2023, tão logo a atual gestão tomou conhecimento do fato – diz o comunicado oficial.

O governo Lula também afirmou que seu diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa, só assumiu o cargo em 29 de maio de 2023, quando o suposto esquema já havia sido encerrado.

– O governo do Presidente Lula reitera seu compromisso com o respeito e o diálogo transparente como elementos fundamentais nas relações diplomáticas com o Paraguai e com todos seus parceiros na região e no mundo – conclui a nota.

A assessoria de imprensa da Abin e o diretor Luiz Fernando Corrêa não se manifestaram até o momento. O espaço segue aberto para posicionamentos.

Pleno News