Obsessão, soberba e queda: Danilo Henrique, o grande derrotado nas urnas do Oeste

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Caso de Política | Luís Carlos Nunes – Na política, costuma-se dizer que as urnas são o juiz mais implacável da realidade. E, no xadrez eleitoral do Oeste baiano deste ano, o veredito não deixou margem para dúvidas: Danilo Henrique (MDB) foi o grande derrotado do pleito. Alimentando a ambição e a obsessão incontrolável de superar e ser mais votado que o ex-prefeito de Barreiras, Zito Barbosa, Danilo tentou um voo mais alto rumo a Brasília apostando na cartada da polarização vazia. Descobriu, contudo, da maneira mais dura que palanques não se sustentam sobre bases de barro e delírios de grandiosidade.

Com 38.136 votos totais e 26.317 sufrágios em Barreiras, sua votação no reduto não chegou a ser propriamente pífia, mas escancara o seu principal calcanhar de Aquiles: esteve longe de repetir o fôlego e a capilaridade de sua disputa municipal anterior – e, claro, ficou a anos-luz de sua meta obsessiva contra Zito.

O resultado foi o naufrágio na bacia das almas, convertendo-o em mero 2º suplente em uma chapa liderada por nomes como Ricardo Maia. A derrocada ganha contornos ainda mais drásticos quando se observa que Danilo era o coordenador, marqueteiro e principal estrategista político não apenas de sua própria empreitada, mas também da campanha de seu pai, Antônio Henrique Júnior – que, sob sua tutela “intelectual” e de marketing, obteve 52.122 votos na disputa estadual e também ficou de fora, figurando como suplente.

Como o Caso de Política já apontava desde os primeiros passos em falso de sua pré-campanha em abril, passando pelos tropeços de articulação em julho até os acordos malfadados de agosto, a trajetória de Danilo foi a crônica de um naufrágio anunciado. Isolado por alianças de balcão e vítima de sua própria soberba gerencial, ele viu o império familiar ruir nas urnas.

A traição, a máscara e o troco na praça

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Se o desempenho matemático foi frustrante, a gestão de sua crise política beirou o colapso moral. O ponto de inflexão de sua derrocada ganhou ares de tragédia grega na véspera da votação, quando o prefeito de Luís Eduardo Magalhães, Júnior Marabá, veio a público em um desabafo histórico.

Ao denunciar a baixaria de fake news orquestrada contra sua esposa e recém-eleita deputada estadual, Cinthya Marabá, Júnior Marabá desnudou o ex-aliado com uma franqueza cortante: lembrou ser o artífice que o colocou na vida pública com espaço na poderosa Secretaria de Governo de sua administração e prometeu, sem meias-palavras, ser o executor de sua aposentadoria precoce.

Na praça pública, a fatura chegou salgada. Danilo Henrique tentou construir um castelo de areia baseado em bravatas, mas esqueceu que a política cobra juros altos de quem confunde ambição com competência. O resultado das urnas funciona, agora, como um atestado de inviabilidade temporária – ou de severo comprometimento de seu futuro político -, evidenciando que o ‘estrategista’ falhou em sua própria prancheta. Afinal, quem tenta transformar o tálio em terra rara sob os holofotes de um marketing professoral acaba, inevitavelmente, descobrindo da maneira mais cara que a política não perdoa a retórica oca.

O espelho retrovisor da derrota

Do outro lado do ringue que ele mesmo ajudou a incendiar, o ex-prefeito Zito Barbosa (União Brasil) também mordeu o pó da suplência federal com seus 65.830 votos (sendo 30.157 em Barreiras), provando que o clima de terra arrasada não poupou ninguém. No entanto, enquanto Zito coleciona décadas de palanques, para Danilo o revés – somado ao fracasso de sua obsessão pessoal – ameaça sepultar o ímpeto de sua renovação precoce.

Um político que sangra em seu próprio quintal e perde o bonde da história por mérito próprio – falhando inclusive na condução marqueteira do próprio clã e na tentativa vã de superar seus fantasmas políticos – raramente encontra vento favorável para reatar voo. As urnas de 2026 colocam-no na prateleira dos projetos que tentaram morder mais do que podiam mastigar, deixando em aberto se haverá fôlego político para cicatrizar tantas feridas no futuro.

Veja os 39 deputados federais eleitos pela Bahia

PT elegeu a maior bancada do estado na Câmara, com 7 deputados; 6 dos 39 eleitos são mulheres

Veja os 39 deputados federais eleitos pela Bahia

A Bahia definiu, no domingo (4), os 39 deputados federais que representarão o estado na Câmara dos Deputados a partir de 1º de fevereiro de 2027. Com 100% das urnas apuradas, Pastor Sargento Isidório (Avante) foi o candidato mais votado, com 248.147 votos.

Na distribuição por partidos, o PT elegeu sete deputados; PSD e União Brasil ficaram com seis cadeiras cada; PL conquistou quatro; Avante, Republicanos e PCdoB elegeram três parlamentares cada; PP e PSDB, dois cada; enquanto MDB, PSB e PDT conquistaram uma cadeira cada.

Dos 39 deputados eleitos, 28 conseguiram a reeleição. Ao todo, seis mulheres estarão entre os representantes da Bahia na Câmara a partir de 2027.

A abstenção no estado foi de 19,98% dos eleitores aptos a votar. Os votos brancos corresponderam a 4,48% do total, enquanto os nulos representaram 3,97%.

Veja a lista completa, por ordem de votação

PASTOR SARGENTO ISIDÓRIO (Avante), 248.147 votos (3,00%), reeleito
ANTONIO BRITO (PSD), 205.815 votos (2,49%), reeleito
NETO CARLETTO (Avante), 197.240 votos (2,38%), reeleito
DANIEL ALENCAR (PSD), 192.492 votos (2,32%)
LUCAS REIS (PT), 192.080 votos (2,32%)
SANDRO FILHO (PP), 167.394 votos (2,02%)
IVONEIDE CAETANO (PT), 163.055 votos (1,97%), reeleita
DOUTORA RAISSA SOARES (PL), 162.370 votos (1,96%)
ROBERTA ROMA (PL), 156.108 votos (1,88%), reeleita
GABRIEL NUNES (PSD), 155.060 votos (1,87%), reeleito
JORGE SOLLA (PT), 152.049 votos (1,84%), reeleito
VALMIR ASSUNÇÃO (PT), 148.941 votos (1,80%), reeleito
SERGIO BRITO (PSD), 148.775 votos (1,80%), reeleito
RICARDO MAIA (MDB), 147.981 votos (1,79%), reeleito
DIEGO CORONEL (Republicanos), 144.890 votos (1,75%), reeleito
CARLOS MUNIZ (PSDB), 141.762 votos (1,71%)
AFONSO FLORENCE (PT), 138.163 votos (1,67%), reeleito
ELMAR (União), 134.235 votos (1,62%), reeleito
OLIVIA (PCdoB), 123.359 votos (1,49%)
DAL BARRETO (União), 122.667 votos (1,48%), reeleito
ADOLFO VIANA (PSDB), 119.865 votos (1,45%), reeleito

DANIEL (PCdoB), 114.552 votos (1,38%), reeleito
ALICE PORTUGAL (PCdoB), 114.395 votos (1,38%), reeleita
DITINHO AVIVIP (União), 111.025 votos (1,34%)
CLAUDIO CAJADO (PP), 110.384 votos (1,33%), reeleito
LEUR LOMANTO JUNIOR (União), 108.893 votos (1,31%), reeleito
MARIA MARIGHELLA (PT), 108.870 votos (1,31%)
JOSEILDO (PT), 108.200 votos (1,31%), reeleito
JOÃO BACELAR (PL), 107.232 votos (1,29%), reeleito
PAULO AZI (União), 105.797 votos (1,28%), reeleito
CAPITÃO ALDEN (PL), 105.110 votos (1,27%), reeleito
MANUEL ROCHA (União), 104.969 votos (1,27%)
LÉO PRATES (Republicanos), 103.794 votos (1,25%), reeleito
RAIMUNDO COSTA (PSD), 102.907 votos (1,24%), reeleito
MARIO NEGROMONTE JR (PSB), 101.536 votos (1,23%), reeleito
MÁRCIO MARINHO (Republicanos), 97.458 votos (1,18%), reeleito
CHARLES FERNANDES (PSD), 87.945 votos (1,06%)
ELMO VAZ (Avante), 65.558 votos (0,79%)
FELIX MENDONÇA (PDT), 60.159 votos (0,73%), reeleito

Cinthya Marabá é eleita deputada com 89.063 votos

Cinthya Marabá foi eleita deputada estadual pelo Partido Liberal com 89.063 votos, ficando como a segunda mais votada do PL na Bahia, mostrando a força da liderança do prefeito de Luís Eduardo Magalhães, Junior Marabá (PP), no Oeste do Estado. O PL irá ocupar sete cadeiras na Assembleia Legislativa da Bahia.

“Essa vitória é fruto do trabalho de um Time que quando pega uma missão, ele cumpre. Esse é o Time Marabá. É gratificante trabalhar com uma equipe onde todo mundo que você olha, está dando o seu melhor. Isso dá coragem e termina dando nisso: mais de 89 mil motivos pra gente comemorar. Cumprimos nossa primeira missão. Agora é trabalhar para honrar cada um desses votos. Hoje é só gratidão e alegria”, disse a deputada eleita, Cinthya Marabá.

O Time Marabá fez o seu dever casa certinho ao entregar alta votação em todos os seus candidatos, em Luís Eduardo Magalhães. Cinthya foi a mais votada com 29.977 votos, Ditinho Avivip (UB) teve 9.310 votos, dos 107.264 que lhe garantiram uma cadeira na Câmara Federal. Os senadores João Roma (PL) e Ângelo Coronel (Republicanos), receberam mais de 38.000 votos cada, o que representa 36% dos eleitores.

O candidato ao governo do Estado, ACM Neto (UB), teve 72% dos votos e Flávio Bolsonaro (PL) teve 62% dos eleitores da capital do agronegócio da Bahia. Junior Marabá – que foi o primeiro prefeito da Bahia a declarar voto em Flávio, na reta final chegou a pedir ‘voto útil’ no candidato do PL.

Os resultados das urnas deste dia 04 de outubro demonstram o perfil direitista do município, que em 2022 foi a única cidade da Bahia, dentre os 417 municípios do Estado, na qual Jair Bolsonaro (PL) venceu Lula no primeiro e no segundo turno da eleição presidencial.

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Lula vence em 413 dos 417 municípios da Bahia no 1º turno; Flávio Bolsonaro ganha só em 4

Lula vence em 413 dos 417 municípios da Bahia no 1º turno; Flávio Bolsonaro ganha só em 4

Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert/PR e Divulgação/Charles Vieira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o candidato mais votado para a Presidência da República em 413 dos 417 municípios da Bahia no primeiro turno das eleições, realizado neste domingo (4).

Flávio Bolsonaro (PL) obteve maioria em apenas quatro cidades do estado: Luís Eduardo Magalhães, no Extremo Oeste; Buerarema, no Sul, e Itamaraju e Teixeira de Freitas, no Extremo Sul do estado.

A maior votação de Flávio Bolsonaro entre os quatro municípios ocorreu em Luís Eduardo Magalhães. O candidato do PL recebeu 62,03% dos votos válidos, contra 32,51% de Lula. Em Buerarema, Flávio Bolsonaro teve 51,69% dos votos, enquanto Lula alcançou 43,53%.

Já em Itamaraju, o bolsonarista registrou 51,67%, contra 44,84% de Lula. Em Teixeira de Freitas, Flávio Bolsonaro obteve 49,51% dos votos, enquanto Lula ficou com 45,39%.

Os resultados municipais podem ser consultados no sistema oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que disponibiliza a totalização dos votos por estado e município.

Lula e Flávio Bolsonaro foram os dois candidatos mais votados no primeiro turno em todo o país e disputarão o segundo turno para a Presidência da República, marcado para 25 de outubro.

BN

Senado Federal fará guinada à direita em 2027 com bloco de 49 cadeiras e avanço expressivo do PL

O encerramento do primeiro turno das eleições gerais consolidou a renovação de dois terços da Casa Alta, fortalecendo a bancada alinhada ao campo conservador, à oposição e ao projeto político de Flávio Bolsonaro para a próxima legislatura

Caso de Política | Luís Carlos Nunes – A composição do Senado Federal a partir de fevereiro de 2027 passará por uma alteração expressiva. O resultado do primeiro turno das eleições, realizado neste domingo (4), definiu os 54 novos senadores nas urnas para preencher as cadeiras que encerravam o ciclo legislativo.

O principal destaque do pleito foi o desempenho do Partido Liberal (PL), que conquistou 16 novas cadeiras e chegou a um total de 25 senadores, consolidando-se de forma isolada como a maior bancada da Casa.

Ao somar os novos parlamentares aos 27 senadores cujos mandatos continuam vigentes até 2031 (eleitos em 2022), a configuração definitiva da Casa Alta desenha um claro predomínio conservador. No total, o bloco alinhado à direita e à oposição somará 49 cadeiras, contra 27 da esquerda e 5 do centro.

Esse avanço robusto do PL e de seus aliados amplia de maneira estratégica a base de sustentação legislativa para um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), credenciando o grupo a negociar pautas de grande impacto e votações de quórum qualificado.

Abaixo, confira a lista organizada dos senadores eleitos estado por estado, dividida conforme o posicionamento político predominante de suas bancadas:

Bloco de Direita e Oposição (Destaque para o avanço do PL)

  • Acre (AC): Marcio Bittar (PL) e Mara Rocha (Republicanos)
  • Alagoas (AL): Arthur Lira (Progressistas) e Marina JHC (PSDB)
  • Distrito Federal (DF): Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL)
  • Goiás (GO): Gustavo Gayer (PL) e Gracinha Caiado (União Brasil)
  • Mato Grosso (MT): Mauro Mendes (União Brasil) e Zé Medeiros (PL)
  • Mato Grosso do Sul (MS): Reinaldo Azambuja (PL) e Capitão Contar (PL)
  • Minas Gerais (MG): Domingos Sávio (PL)
  • Paraná (PR): Felipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo)
  • Rio de Janeiro (RJ): Carlos Portinho (PL) e Carlos Jordy (PL)
  • Rio Grande do Sul (RS): Sanderson (PL) e Marcel van Hatten (Novo)
  • Rondônia (RO): Fernando Máximo (PL) e Bruno Scheid (PL)
  • Roraima (RR): Nicoletti (PL)
  • Santa Catarina (SC): Carol de Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL)
  • São Paulo (SP): Guilherme Derrite (Progressistas) e André do Prado (PL)
  • Tocantins (TO): Eduardo Gomes (PL)

Bloco de Esquerda e Base Governamental

  • Amapá (AP): Rayssa Furlan (Podemos)
  • Amazonas (AM): Eduardo Braga (MDB)
  • Bahia (BA): Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT)
  • Ceará (CE): Cid Gomes (PSB) e Luizianne (Rede)
  • Espírito Santo (ES): Renato Casagrande (PSB)
  • Minas Gerais (MG): Marília Campos (PT)
  • Paraíba (PB): João Azevêdo (PSB) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB)
  • Pernambuco (PE): Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT)
  • Piauí (PI): Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD)
  • Rio Grande do Norte (RN): Styvenson Valentim (Podemos)
  • Sergipe (SE): Rogério Carvalho (PT) e Delegado Alessandro (MDB)

Com a nova distribuição de cadeiras alcançando a marca de três quintos da Casa (os 49 votos necessários para aprovar Propostas de Emenda à Constituição), analistas apontam que temas institucionais sensíveis e pautas de forte apelo conservador dominarão o eixo de debates em Brasília a partir de 2027.

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