Famílias de presos e oposição pedem anistia ampla em reunião

Encontro na Câmara foi liderado pelo relator do projeto de anistia

Atos em Brasília no dia 8 de janeiro de 2023 Foto: EFE/Andre Borges

Parlamentares da oposição e representantes da Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de Janeiro (ASFAV) se reuniram nesta terça-feira (23), em Brasília, com o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do projeto de anistia. O grupo rejeitou a ideia de “dosimetria” e defendeu anistia ampla para os envolvidos nos atos de 2023.

A advogada Carolina Siebra, representante da ASFAV, apresentou os números atualizados: 144 pessoas ainda estão presas, 44 cumprem prisão domiciliar com tornozeleira e centenas permanecem com salários e bens bloqueados. Ela citou casos emblemáticos, como o de Roberta, condenada a 14 anos por orar no Senado, e o de Clezão, que morreu na prisão após pedidos de soltura negados.

– Redução de penas não vai trazer o pai de volta para as filhas do Clezão nem o tempo perdido de quem está há quase três anos preso sem provas. O clamor é por anistia ampla, geral e irrestrita. Peço misericórdia por essas famílias – afirmou Siebra.

Segundo a advogada, sete pessoas já morreram em decorrência das condições no cárcere. Pesquisa feita pela ASFAV mostra que 96,7% dos familiares apoiam a anistia plena e 81,3% rejeitam a redução de penas.

O deputado Zucco (PL-RS), líder da oposição, reforçou a posição.

– O Brasil já fez quase 50 anistias em sua história. Se em 1979 foi possível perdoar crimes de agentes do regime militar e de revolucionários de esquerda, por que agora não anistiar pessoas inocentes que não participaram de golpe de Estado? – disse.

Ele também criticou a proposta de dosimetria no Legislativo.

– Essa é uma atribuição do Judiciário. O Congresso não pode criar um precedente inconstitucional que desvirtue seu papel – ressaltou.

O debate ainda envolve críticas ao ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos no Supremo. A ASFAV sugeriu que Paulinho da Força visite os presos para conhecer de perto a situação. Novas conversas entre o relator e a oposição devem ocorrer nos próximos dias.

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