Chupar chupeta na vida adulta: Moda ou sinal de regressão emocional?

Uso de chupeta na vida adulta como suposta terapia é um reflexo de uma sociedade que precisa amadurecer

Adultos com chupeta (Imagem ilustrativa) Foto: IA\Chat GPT

Nos últimos meses, um comportamento curioso e preocupante tem ganhado espaço nas redes sociais: adultos usando chupeta como suposta forma de aliviar o estresse. O que, à primeira vista, pode parecer apenas uma “brincadeira” ou “modismo” esconde implicações sérias para a saúde emocional e para a maturidade humana.

A infantilização travestida de moda
A chupeta é um objeto tipicamente associado à primeira infância. No bebê, seu uso está ligado à necessidade de sucção não nutritiva, que proporciona conforto e sensação de segurança. Porém, quando um adulto adota esse hábito, estamos diante de um fenômeno de regressão psicológica — um retorno inconsciente a estágios primários do desenvolvimento, no qual o enfrentamento das frustrações é substituído por um recurso simplista e infantil.

A psicologia alerta que essa regressão pode ser um sintoma de ansiedade, estresse elevado ou carências emocionais profundas. Mas quando isso se transforma em moda, com incentivo midiático, o problema deixa de ser individual e se torna coletivo: uma sociedade que romantiza a fuga das responsabilidades emocionais e adota comportamentos imaturos como “autocuidado”.

Risco da idiotização e empobrecimento emocional
Esse tipo de prática não apenas impede o amadurecimento psicológico, mas também pode contribuir para um fenômeno social perigoso: a idiotização da pessoa humana. Isso ocorre quando se promove, de forma sutil, a perda da capacidade crítica, do pensamento maduro e da independência emocional. Ao invés de aprender a lidar com o estresse de forma saudável, reforça-se a dependência de objetos ou comportamentos superficiais.

Além disso, o uso prolongado de chupeta na vida adulta pode gerar:

  • Problemas odontológicos (má oclusão, desgaste dentário);
  • Dependência comportamental;
  • Vergonha e isolamento social.

Alternativas saudáveis para aliviar o estresse
A boa notícia é que existem formas muito mais eficazes e maduras para lidar com a tensão do dia a dia:

  • Técnicas de respiração profunda;
  • Exercícios físicos;
  • Terapia cognitivo-comportamental;
  • Oração e meditação na Palavra de Deus;
  • Desenvolvimento de habilidades de resiliência emocional.

O uso de chupeta na vida adulta como suposta terapia contra o estresse não é apenas uma excentricidade inofensiva — é um reflexo de uma sociedade que precisa urgentemente resgatar a maturidade emocional e espiritual. Precisamos incentivar práticas que fortaleçam a autonomia, a fé e a capacidade de enfrentar desafios, e não modas que perpetuam a infantilização.

Marisa Lobo atua como psicóloga e psicanalista, é pós-graduada em Psicanálise; Gestão e Mediação de Conflitos; Educação de Gênero e Sexualidade; Filosofia de Direitos Humanos e Saúde Mental; tem também habilitação para magistério superior.

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