Reforma propõe que magistrados e membros do MP perderiam cargo sem direito a qualquer vencimento

O relator da Reforma Administrativa na Câmara, deputado federal Pedro Paulo (PSD-RJ), decidiu incluir no texto da proposta uma mudança importante em relação a um tema controverso relacionado a membros do Judiciário atualmente: o fim da aposentadoria compulsória com direito a receber vencimentos como forma de punição para juízes e integrantes do Ministério Público.
A proposta prevê que, em vez de serem afastados das funções com o direito de continuar recebendo aposentadorias elevadas, esses profissionais possam ser efetivamente demitidos sem quaisquer ganhos posteriores por meio de processo administrativo disciplinar, conduzido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ou pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
Atualmente, juízes e procuradores são vitalícios e só perdem o cargo por sentença judicial transitada em julgado. Na prática, a punição mais aplicada é justamente a aposentadoria compulsória, vista como um “prêmio” por quem critica o modelo, já que mantém os vencimentos elevados desses profissionais.
De acordo com um levantamento da ONG Fiquem Sabendo, com base em dados do CNJ, 135 magistrados foram punidos entre 2008 e abril de 2024, sendo que 59% deles receberam a aposentadoria compulsória e nenhum foi demitido. Pedro Paulo argumenta que a reforma corrige uma distorção que reforça privilégios em vez de puni-los.
– Hoje se um juiz rouba e é condenado, sua punição é uma aposentadoria compulsória com vencimentos elevados. Não tem razão para ser assim, essa punição é praticamente um prêmio. A ideia é passar a instituir PAD (Processo Administrativo Disciplinar) e que uma decisão de colegiado do CNJ ou do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) levem à demissão, sem remuneração – diz o deputado.
O texto da Reforma Administrativa, que também traz propostas para outros temas como regras para teletrabalho e concursos, deve ser apresentado oficialmente na Câmara na próxima semana. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem dito que a proposta está entre as prioridades.
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