
O que acontece no solo pode ser decisivo para o futuro da agricultura. É a partir dessa perspectiva que o pesquisador João Carlos Sá, da The Ohio State University, participa a partir desta terça-feira (1º) do IV Simpósio Brasileiro de Solos Arenosos (SBSA), em Luís Eduardo Magalhães, no Oeste da Bahia.

Especialista em matéria orgânica, carbono no solo e sistemas de plantio direto, João Carlos Sá integra a programação de uma das estações técnicas do evento, que vai discutir “Matéria Orgânica e Evolução do Sistema de Produção”. O tema ganha relevância em uma região onde os solos arenosos impõem desafios relacionados à retenção de água, fertilidade e sustentabilidade dos sistemas agrícolas.
Com atuação internacional na área de manejo e conservação do solo, João Carlos Sá é pesquisador associado do Rattan Lal Center for Carbon Management and Sequestration, da The Ohio State University, centro que leva o nome de um dos mais reconhecidos cientistas mundiais na área de carbono no solo.
Sua trajetória inclui mais de 90 artigos científicos publicados, cinco livros e 29 capítulos de livros, além da participação como palestrante em mais de 40 congressos científicos internacionais.
Carbono que fica no solo
A presença do pesquisador no SBSA ocorre em um momento em que a capacidade dos sistemas agrícolas de conservar e aumentar o carbono no solo ganha cada vez mais espaço nas discussões sobre produtividade, resiliência e agricultura de baixo carbono.
Em estudo publicado em 2025 na revista Science of the Total Environment, Sá e pesquisadores de diferentes instituições analisaram 3.402 amostras de solo de 63 áreas dos biomas Cerrado e Mata Atlântica. A pesquisa mostrou que sistemas de plantio direto podem contribuir para a recuperação dos estoques de carbono orgânico do solo, em determinadas condições alcançando níveis próximos aos observados em áreas de vegetação nativa.
O resultado reforça a importância de práticas que aumentem o aporte de matéria orgânica e mantenham o solo protegido, especialmente em ambientes agrícolas mais suscetíveis à perda de carbono e à degradação.
Para o Oeste da Bahia, onde a agricultura ocupa papel estratégico na economia regional e nacional, a discussão tem aplicação direta no campo.
“A construção de matéria orgânica é um processo fundamental para aumentar a resiliência dos sistemas de produção”, destaca a abordagem defendida pelo pesquisador em seus trabalhos sobre manejo do carbono e sistemas de plantio direto.
Ciência aplicada à realidade do campo
A participação de João Carlos Sá é um dos destaques da programação do IV SBSA, que reúne pesquisadores, produtores rurais, consultores, empresas e profissionais do setor para discutir os desafios e as oportunidades dos solos arenosos.
A proposta do simpósio é aproximar a pesquisa científica das decisões tomadas dentro da propriedade, apresentando estratégias de manejo capazes de melhorar a qualidade do solo e dar maior estabilidade aos sistemas produtivos.
Ao longo do evento serão discutidos temas como fertilidade, física e manejo do solo, disponibilidade de água, nutrição de plantas, matéria orgânica, carbono, sistemas de produção e estratégias para aumentar a sustentabilidade e a produtividade em áreas de solos arenosos.
As inscrições estão esgotadas e mais de 400 pessoas são esperadas no encontro, que acontecerá no auditório da ABAPA, a Associação Baiana dos Produtores de Algodão. Confira a programação completa no site oficial: sbsa.fundacaoba.com.br.
Assessoria de Imprensa CACAU Comunicação – 29.08.2026
