Encontros reservados chamam atenção da defesa do ex-banqueiro

A advogada Camilla Ramos, apontada em mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro como integrante da chamada “Turma do KN”, tem realizado visitas frequentes ao empresário na prisão. A presença constante da advogada teria causado estranheza entre integrantes da defesa de Vorcaro.
Camilla Ramos mantinha um contrato com o Banco Master que previa honorários de até R$ 427 milhões. Ela é citada, ao lado do marido, o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), em mensagens encontradas no celular de Vorcaro que fazem referência à chamada “Turma do KN”.
Segundo os diálogos, a sigla “KN” faria referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques. O ministro, porém, afirma que nunca autorizou terceiros a falar em seu nome.
Segundo a coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo, Vorcaro possui uma lista de 23 advogados autorizados a visitá-lo na prisão. A maior parte deles integra escritórios responsáveis por sua defesa criminal ou acompanha questões relacionadas à liquidação do Banco Master.
Ainda conforme o relato de três advogados ouvidos pela coluna, Camilla Ramos não atua na área criminal nem em processos de interesse direto do ex-banqueiro. Por esse motivo, suas visitas frequentes teriam chamado a atenção.
A reportagem afirma também que, quando Camilla chega ao local para conversar com Vorcaro, outros advogados deixam a sala para que ela permaneça a sós com o ex-banqueiro.
De acordo com um dos profissionais citados, isso indicaria que seriam tratados assuntos considerados sensíveis e sigilosos, que não poderiam ser discutidos na presença dos demais advogados.
Em nota, a assessoria de Camilla Ramos afirmou que a advogada realiza visitas regulares a Daniel Vorcaro para atualizá-lo sobre o andamento de cerca de 20 processos envolvendo precatórios adquiridos pelo Banco Master.
Segundo a manifestação, Camilla está regularmente habilitada nessas ações, que não tramitam no STF. A defesa também afirma que os contratos firmados são “lícitos” e permanecem sob apreciação do Poder Judiciário.
– Importante reforçar que a atuação da advogada e do escritório em defesa do Banco Master ocorreu dentro dos limites legais e mediante a devida habilitação nos respectivos processos – diz o comunicado.
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