Qual o verdadeiro custo da tarifa zero prometida por Lula?

Governo petista prevê ônibus gratuitos aos fins de semana, mas empresas e economistas apontam despesas maiores e risco de falta de recursos

Os R$ 12 bilhões previstos pelo governo Lula para bancar a tarifa zero nos ônibus aos fins de semana podem não cobrir o custo da medida. Estimativas de empresas do setor e de economistas ouvidos pela Folha apontam que seriam necessários mais de R$ 20 bilhões por ano para garantir a gratuidade em ônibus, trens e metrôs. 

A diferença levanta dúvidas sobre a possibilidade de o governo ter de ampliar os repasses ou sobre o risco de piora no serviço. A proposta foi enviada ao Congresso em 21 de outubro e está entre as prioridades do governo para o fim do ano.

A PEC determina que 26,8% das emendas parlamentares de execução obrigatória sejam destinados ao financiamento do transporte gratuito aos sábados, domingos e feriados.

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Contas diferentes

O Ministério das Cidades estima que a medida custaria R$ 11 bilhões por ano. Giancarlo Moreira Gama, assessor especial da Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana, afirma que o valor previsto na proposta ainda deixaria uma margem de segurança.

O cálculo foi elaborado com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a partir de uma amostra de cem municípios. 

O estudo considera a quilometragem menor percorrida pelos ônibus nos fins de semana. Segundo Gama, o custo anual de operação de todo o sistema de transporte coletivo brasileiro fica próximo de R$ 70 bilhões.

A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) chega a uma conta mais alta. 

Para a entidade, a gratuidade custaria R$ 17 bilhões anuais apenas nos ônibus. Com a inclusão de trens e metrôs, a despesa subiria para R$ 20,8 bilhões.

Risco de gasto adicional

A estimativa da NTU considera que a demanda por transporte aumenta quando a tarifa deixa de ser cobrada. Por isso, a associação incluiu uma ampliação de 20% na oferta de ônibus. 

O diretor da entidade, Marcos Bicalho, ressalva que os números são aproximados, já que o país não tem uma base nacional completa sobre os sistemas de transporte.

Já o economista Tiago Sbardelotto, da XP, calcula que seriam necessários R$ 16 bilhões para garantir a gratuidade em todos os modais nos fins de semana. Para ele, os R$ 12 bilhões cobririam apenas os ônibus urbanos.

O Antagonista